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Detecção de Incêndio

Como dimensionar um laço de detecção FlashScan

13 min de leitura Fernanda Sousa
#Detecção de Incêndio #FlashScan #Guia Técnico #Laço SLC #NBR 17240

O erro de dimensionamento de laço só aparece com o cabo já na parede

Quase todo projeto de sistema endereçável Notifier começa pela contagem de pontos e para por aí. O projetista soma detectores e módulos, divide por 318, define a central e segue para a próxima prancha. O problema aparece na obra: o laço passou da metragem, a resistência do percurso derrubou a comunicação, um dispositivo antigo puxou o laço inteiro para CLIP, ou um curto num trecho tirou meio pavimento do ar.

Dimensionar um laço FlashScan é atender quatro limites ao mesmo tempo: quantidade de endereços, distância e resistência do cabo, capacitância total e estratégia de isolação. Este guia trata os quatro na ordem em que eles aparecem no projeto.

O que o FlashScan muda no dimensionamento

FlashScan é o protocolo de comunicação do SLC (Signaling Line Circuit) das centrais Notifier. A diferença central para o protocolo antigo, o CLIP (Classic Loop Interface Protocol), está em como a central varre o laço.

No CLIP, a central pergunta dispositivo por dispositivo, um de cada vez. No FlashScan, ela varre em grupos de até 10 dispositivos. Quando algum ponto do grupo tem informação nova, a central interrompe a varredura em grupo e vai direto no endereço individual. O resultado prático é uma resposta mais de cinco vezes mais rápida que o protocolo anterior, com o mesmo cabo e a mesma topologia.

Para o dimensionamento, o que importa é a consequência disso: FlashScan permite mais que o dobro de endereços por laço em relação ao CLIP. Essa capacidade é o que sustenta projetos com menos laços, menos módulos de laço na central e menos infraestrutura de cabo.

Limite 1: quantidade de dispositivos por laço

Em FlashScan, cada laço SLC comporta:

  • 159 detectores (endereços 001 a 159)
  • 159 módulos (endereços 001 a 159)
  • 318 dispositivos no total

Em CLIP, o mesmo laço cai para 99 detectores e 99 módulos, ou seja, 198 dispositivos.

O erro mais comum aqui é tratar 318 como um número livre. Não é. São duas contagens independentes que não se transferem. Um projeto com 200 detectores e 40 módulos não cabe em um laço, mesmo somando 240 pontos, porque a faixa de detectores estourou em 41 endereços. Conte detector e módulo em colunas separadas desde o primeiro levantamento.

Lembre também que módulo ocupa endereço mesmo quando não detecta nada. Módulo de monitoramento de pressostato e fluxostato de sprinkler, módulo de comando de dampers, módulo de acionamento de sirene, módulo de interface com elevador, módulo relé de intertravamento: tudo isso consome endereço na faixa de módulos. Em obra industrial e em data center, a faixa de módulos costuma estourar antes da faixa de detectores.

FlashScan e CLIP no mesmo laço

Este é o ponto que derruba projeto bem dimensionado.

O protocolo dos detectores é independente do protocolo dos módulos. O mesmo laço pode operar detectores em FlashScan (001 a 159) e módulos em CLIP (01 a 99), ou o contrário. O que não existe é misturar protocolos dentro da mesma faixa.

Se você colocar um único detector que só opera em CLIP num laço, a faixa inteira de detectores volta para CLIP e o limite cai de 159 para 99. Os módulos continuam em FlashScan se todos forem compatíveis, mas o laço perde 60 endereços de detecção e a velocidade de varredura da parte de detecção despenca.

Consequência de projeto: em ampliação de sistema legado, levante o modelo exato de cada dispositivo existente antes de assumir capacidade FlashScan. A maioria dos dispositivos FlashScan reverte para CLIP quando necessário, mas o inverso não acontece.

Limite 2: distância, bitola e resistência

A tabela abaixo vale para as centrais NFS-320, NFS2-640 e NFS2-3030 com par trançado não blindado, conforme o SLC Wiring Manual (documento 51253) da Notifier.

Bitola Seção aproximada Bitola comercial usual no Brasil Distância máxima por ramo
12 AWG 3,31 mm² 4,0 mm² 12.500 ft (3.810 m)
14 AWG 2,08 mm² 2,5 mm² 9.500 ft (2.896 m)
16 AWG 1,31 mm² 1,5 mm² 6.000 ft (1.829 m)
18 AWG 0,82 mm² 1,0 mm² 3.700 ft (1.128 m)

A coluna de bitola comercial é equivalência aproximada, para tradução de projeto americano em especificação brasileira. Ela orienta a compra, não substitui a verificação elétrica.

Por que a resistência manda mais que a metragem

A distância da tabela é derivada de um limite elétrico, não o contrário. O que a central exige é resistência máxima de 50 ohms por ramo nas centrais da linha NFS. As famílias mais antigas, como AFP-100, AFP-200 e AFP-300/400, trabalham com limite de 40 ohms. Confirme sempre o valor no manual da central que você está especificando.

Na prática isso significa três coisas:

  1. Meça o percurso real do cabo, não a distância em planta. Subida de prumada, contorno de shaft, folga em caixa de passagem e reserva em painel somam metros que não aparecem na vista superior. Em edifício alto, a diferença entre o traçado em planta e o cabo instalado passa de 30%.
  2. Emenda é resistência. Cada emenda mal executada, cada borne oxidado e cada conector fora de especificação entram na conta. Laço que passa no cálculo e falha no comissionamento quase sempre falha por acúmulo de contato ruim, não por metragem.
  3. Meça a resistência no comissionamento. O aceite do laço é o valor medido com o cabo instalado, não o valor calculado na planilha.

Classe A consome mais cabo do que parece

O manual trata a distância como limite por ramo. Em Classe A (Style 6 e Style 7), o circuito sai da central, percorre todos os dispositivos e retorna à central. O caminho físico do cabo cresce, e o retorno precisa seguir rota distinta da ida para cumprir a função de redundância. Se você dimensionou a bitola pensando no trecho de ida, refaça a conta com o percurso completo.

Limite 3: capacitância

A capacitância total da fiação do SLC não pode ultrapassar 0,5 microfarad por ramo, medida entre condutores e de qualquer condutor para o terra.

Em cabo de par trançado comum de detecção, a capacitância fica na casa de dezenas a pouco mais de cem picofarads por metro, e esse limite raramente é o gargalo em laços dentro da metragem da tabela. Ele vira problema em três situações:

  • Cabo blindado. A blindagem aumenta a capacitância para o terra de forma relevante. As centrais NFS não exigem cabo blindado no SLC. Se a obra especificou blindado por causa de ambiente eletromagneticamente agressivo, verifique a capacitância no datasheet do cabo e refaça a conta de metragem.
  • Cabo genérico sem datasheet. Cabo comprado por preço, sem folha de dados, é aposta. Exija a característica elétrica do fabricante.
  • Laço longo em Classe A. Metragem maior multiplica a capacitância acumulada.

Regra de bolso para projeto: pegue a capacitância por metro no datasheet do cabo, multiplique pelo percurso real e confirme que o resultado fica com folga abaixo de 0,5 µF.

Classe do circuito: Style 4, Style 6 e Style 7

A classe define o comportamento do laço diante de uma falha, e muda o dimensionamento.

Style 4 (Classe B). Dois fios, saída única da central, sem retorno. Permite derivação em T. É a topologia mais econômica em cabo e a mais rápida de instalar. Uma interrupção no cabo tira do ar tudo que está a jusante do ponto de falha.

Style 6 (Classe A). Quatro fios, com retorno à central. Não permite derivação em T. Uma interrupção no cabo não tira nenhum dispositivo do ar, porque a central passa a alimentar e varrer pelos dois lados. Consome mais cabo e exige rota separada para ida e retorno.

Style 7 (Classe A com isolação). Mesma topologia do Style 6, com isolador de curto em cada dispositivo. É o nível máximo de tolerância a falha: nem uma interrupção nem um curto derrubam qualquer ponto do laço. É o padrão que faz sentido em ambiente de missão crítica, e o que mais custa em material.

A escolha não é só técnica, é de custo por ponto. Style 7 num galpão de estoque seco é dinheiro parado. Style 4 num data center é risco que não se justifica.

Isolação de curto: onde o laço se defende

Isolador de curto é o componente que separa eletricamente um trecho do laço quando detecta curto naquele segmento, mantendo o restante em operação. Ele existe em duas formas: módulo isolador dedicado e base de detector com isolador integrado.

Sem isolador, um único curto em qualquer ponto derruba o laço inteiro. Com 318 dispositivos num laço, isso significa perder a detecção de um prédio inteiro por causa de um cabo prensado numa caixa.

Critérios de projeto para posicionar isolador:

  • Por compartimento físico. Um isolador na entrada e um na saída de cada pavimento, ou de cada bloco, ou de cada área de risco distinta. Assim a falha fica contida no compartimento onde ela aconteceu.
  • Por quantidade de dispositivos. Segmentos de 20 a 25 dispositivos entre isoladores é uma prática de projeto que equilibra custo e contenção. Não é exigência de norma, é engenharia.
  • Em toda derivação. Se o laço tem derivação em T, cada ramo derivado precisa de isolação própria. Caso contrário, o curto na ponta do ramo derruba o tronco.
  • Nos pontos de maior exposição mecânica. Trecho externo, área de circulação de empilhadeira, doca, área de obra em operação.

O isolador ocupa espaço elétrico no laço e, dependendo do modelo, endereço. Considere isso na contagem.

O que a NBR 17240 cobra do projeto

A ABNT NBR 17240:2010 não obriga o uso de sistema endereçável, e não define limite de dispositivos por laço endereçável. Isso é limite de fabricante, não de norma. O que a norma cobra e impacta o dimensionamento é outra coisa:

  • Supervisão e sinalização individual de falha. A central precisa indicar falha por circuito de detecção, por circuito de sinalização e alarme e por circuito de comando. Isso reforça a lógica de segmentar o laço por compartimento: falha localizada precisa ser falha identificável.
  • Cobertura do detector. Detector pontual de fumaça cobre até 81 m², com raio máximo de 6,30 m. Esse número define a contagem de detectores antes de qualquer conta de laço.
  • Redução por viga. Viga entre 0,21 m e 0,60 m abaixo da laje reduz a cobertura para dois terços. Acima de 0,61 m, reduz à metade. Laje nervurada e teto com viga alta aumentam a contagem de pontos de forma significativa, e é aí que o laço estoura.
  • Afastamento mínimo. Detector pontual a no mínimo 0,15 m de parede lateral ou viga.
  • Referência de circuito convencional. Na parte convencional, a norma limita o circuito de detecção a 1.600 m² de cobertura, com no máximo 20 dispositivos entre detectores automáticos e acionadores manuais. Em sistema misto, essa parte continua valendo.

Ou seja: a norma define quantos pontos você precisa, o fabricante define quantos pontos cabem no laço, e o projeto reconcilia os dois.

Método de dimensionamento em 7 passos

  1. Conte os pontos pela norma, não pelo laço. Aplique a cobertura de 81 m², a redução por viga e o afastamento mínimo. O resultado é a quantidade de detectores que o projeto exige.
  2. Levante os módulos em lista separada. Sprinkler, dampers, sirenes, elevador, intertravamento, supervisão de válvula. Tudo que ocupa endereço na faixa de módulos.
  3. Aplique a divisão 159 e 159. Nunca 318 corridos. Se qualquer uma das faixas estourar, o laço se divide, mesmo com a outra faixa vazia.
  4. Reserve folga. Fechar laço em 95% de ocupação é comprar retrabalho na primeira ampliação. Trabalhe com 20% de reserva por laço.
  5. Trace o percurso físico do cabo. Prumada, shaft, contorno, caixa de passagem, reserva. Some a metragem real e escolha a bitola pela tabela, com margem.
  6. Defina a classe e o plano de isolação. Style 4, 6 ou 7 conforme criticidade, e a posição de cada isolador por compartimento e por quantidade de dispositivos.
  7. Feche a central pelo número de laços, não pelo número de pontos. NFS-320 atende 1 laço e 318 dispositivos, NFS2-640 atende 2 laços e 636 dispositivos, NFS2-3030 escala até 10 laços e 3.180 dispositivos, e o INSPIRE N16 cobre a faixa de 3 a 10 laços conforme a versão. Um projeto de 600 pontos mal distribuídos em 3 laços não cabe numa central de 2 laços, mesmo com a contagem total dentro do limite.

Se quiser aprofundar a escolha do modelo, veja o comparativo NFS-320 x NFS2-640 x NFS2-3030 e o guia de centrais endereçáveis Notifier.

Erros comuns no dimensionamento de laço

  • Tratar 318 como número livre. São duas faixas de 159 que não se transferem.
  • Dimensionar pela distância em planta. O cabo instalado é sempre maior que a linha reta do desenho.
  • Colocar um dispositivo CLIP num laço FlashScan. A faixa inteira daquele tipo cai para 99 endereços.
  • Esquecer que módulo ocupa endereço. Em indústria e data center, a faixa de módulos estoura antes da de detectores.
  • Laço sem plano de isolação. Um curto derruba 318 pontos.
  • Contar com o SLC para alimentar carga externa. Base sonora, sirene e módulo com carga acionada exigem fonte auxiliar dimensionada à parte, com autonomia de bateria calculada.
  • Fechar a central sem folga de expansão. Ampliação de sistema é regra, não exceção. A central que não tem slot livre vira troca de central.

Checklist de fechamento do laço

Item Limite de referência
Detectores no laço até 159 em FlashScan, 99 em CLIP
Módulos no laço até 159 em FlashScan, 99 em CLIP
Ocupação alvo do laço até 80%, com 20% de reserva
Resistência por ramo até 50 ohms (linha NFS), confirmar no manual da central
Capacitância por ramo até 0,5 µF
Distância por ramo conforme bitola, medida no percurso real
Protocolo dos dispositivos 100% FlashScan por faixa, sem exceção
Isolação por compartimento e a cada 20 a 25 dispositivos
Classe do circuito definida por criticidade da área

Fonte técnica: SLC Wiring Manual Notifier, documento 51253, e manual de instalação da central especificada. Divergência entre este material e o manual do fabricante se resolve sempre pelo manual.

Por que comprar de distribuidor autorizado Notifier

  • Estoque local. Laço mal dimensionado descoberto em obra vira pedido urgente de módulo, isolador ou base. Prazo de importação nessa hora custa cronograma.
  • Suporte técnico antes da compra. Validar a contagem de laço e a lista de material antes de emitir o pedido evita sobra de endereço comprado e falta de módulo essencial.
  • Compatibilidade garantida. Material de origem autorizada evita a surpresa do dispositivo que não opera em FlashScan e derruba o laço.
  • Garantia e rastreabilidade. Produto de canal autorizado tem cobertura de fábrica e histórico de série.

A SAFE1 é um dos maiores distribuidores Honeywell e Notifier do Brasil, com estoque, suporte técnico dedicado ao integrador e a linha completa de centrais, detectores, módulos e isoladores endereçáveis.

Perguntas frequentes

Quantos dispositivos cabem em um laço FlashScan?

159 detectores e 159 módulos, totalizando 318 dispositivos por laço SLC. As duas faixas são independentes: endereço de detector não vira endereço de módulo.

Qual a distância máxima de um laço SLC Notifier?

Nas centrais NFS com par trançado não blindado, até 3.810 m com 12 AWG, 2.896 m com 14 AWG, 1.829 m com 16 AWG e 1.128 m com 18 AWG, por ramo. O limite real é a resistência de 50 ohms por ramo, medida no percurso instalado.

Posso misturar dispositivos FlashScan e CLIP no mesmo laço?

Sim, desde que a mistura não ocorra dentro da mesma faixa. Detectores podem operar em FlashScan enquanto módulos operam em CLIP, ou o contrário. Um único dispositivo CLIP dentro de uma faixa força aquela faixa inteira para CLIP e reduz o limite para 99 endereços.

FlashScan exige cabo blindado?

Não. As centrais da linha NFS trabalham com par trançado não blindado no SLC. Cabo blindado aumenta a capacitância para o terra e pode reduzir a metragem admissível do laço.

Quantos isoladores de curto o laço precisa?

A norma não define o número. A prática de projeto é isolar por compartimento físico, em segmentos de 20 a 25 dispositivos, e em toda derivação em T. Em Style 7, o isolador é por dispositivo.

A NBR 17240 limita a quantidade de pontos por laço endereçável?

Não. O limite de 20 dispositivos e 1.600 m² por circuito se aplica a circuito convencional. Em endereçável, o limite é do fabricante, e a norma cobra supervisão e sinalização individual de falha por circuito.

Como escolho a central depois de dimensionar os laços?

Pelo número de laços, não pelo total de pontos. Veja o comparativo entre NFS-320, NFS2-640 e NFS2-3030.

Fale com quem dimensiona laço todo dia

Manda a contagem de pontos, a planta ou a lista de material do seu projeto para o nosso time. A gente confere a divisão de laços, a bitola do cabo, o plano de isolação e a central certa, para você especificar com segurança e sem surpresa no comissionamento.

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